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Migrantes Contribuem para Uma Nova Demografia

Nas últimas décadas do século XX, os países do mundo assistiram a uma intensa mudança na composição das suas populações, uns porque as perderam, outros porque receberam milhares de pessoas que chegaram com novas culturas, novas línguas, novas identidades na bagagem. Um exemplo disso foi o salto do número de imigrantes da Ásia, de África e das Américas na União Europeia, que aumentou 75 por cento entre 1980 e 2000. Na América do Norte, esse crescimento foi ainda mais avassalador: 145 por cento no mesmo período. Segundo o PNUD, este novo surto migratório - um dos maiores da história - revestiu-se de um carácter novo: a revolução das telecomunicações e transportes permitiu que os migrantes pudessem continuar a manter contacto com a sua origem, o que potenciou a preservação das suas identidades. Ou seja, os migrantes de hoje mantêm múltiplas identidades, pois são capazes de manter a original enquanto apreendem a do país onde vivem. O que oferece novos desafios aos países acolhedores, que têm de provar que conseguem acolher e adaptar-se à diversidade sem cair na tentação de tentar apostar na assimilação. Eis algumas das características destes novos migrantes: - Demografia em mudança Em relação à Europa Ocidental, Austrália e América do Norte, o crescimento da migração na última década concentrou-se quase inteiramente em fluxos dos países pobres para os países ricos. Na década de 1990, a população estrangeira nas regiões mais desenvolvidas aumentou em 23 milhões. Hoje, quase um de cada 10 pessoas que vivem nesses países nasceu noutro sítio. - Migração clandestina Atingiu níveis sem precedentes - mais de 30 milhões de pessoas em todo o mundo não têm estatuto de residência legal nos países onde vivem. - Migração circular Hoje, as pessoas que decidem migrar têm mais probabilidades de voltar ao seu local de nascimento ou de mudar para um terceiro país do que ficar no primeiro país para onde migraram. Com comunicações e viagens mais baratas, os migrantes mantêm-se em contacto mais estreito com as suas comunidades de origem. - Rede da diáspora Ter amigos e família no estrangeiro torna a migração mais fácil. As redes da diáspora dão abrigo, trabalho e ajuda com a burocracia. Por isso, os migrantes que vêm do mesmo país tendem a concentrar-se onde os outros se fixaram: 92 por cento dos imigrantes argelinos na Europa vivem em França e 81 por centro dos imigrantes gregos estão na Alemanha. - Remessas Em pouco mais de dez anos, as remessas para os países em desenvolvimento passaram de 30 mil milhões de dólares, em 1990, para cerca de 80 mil milhões, em 2002. - Candidatos a asilo e refugiados Cerca de nove por cento dos migrantes do mundo são refugiados (16 milhões de pessoas). A Europa albergou mais de dois milhões de candidatos a asilo político em 2000, quatro vezes mais do que a América do Norte. - Feminização As mulheres sempre migraram como membros da família, mas hoje há mais mulheres a migrar sozinhas para trabalhar no estrangeiro, deixando as suas famílias em casa. - Países de destino Os países que mais imigrantes acolhem são os Emirados Árabes Unidos (68 por cento das sua população é migrante), Kuwait (49 por cento), Jordânia (39 por cento) e Israel (37 por cento). A Suíça é o único país europeu neste "top 10", com 25 por cento da sua população composta por estrangeiros. Fonte: Publico ( Ana Fernandes) - 16 de Julho de 2004

Publicado: Quarta, 21 Julho, 2004

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