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Nações Unidas recomendam políticas multiculturais

Os países de acolhimento de emigrantes, nos quais se inclui Portugal, deverão adoptar políticas multiculturais e não estratégias de assimilação, de modo a promover uma maior inclusão dos imigrantes, mesmo nos casos em que estes mantenham laços com os países originários. Esta recomendação é feita no relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que reconhece ter-se assistido nas últimas duas décadas “a um dos maiores surtos migratórios da história mundial”. As estimativas recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sugerem que a população imigrante mundial é de cerca de 175 milhões de pessoas, o que representaria, caso estivesse “sob um entidade política única”, o quinto maior país do mundo. Mais de metade dos imigrantes e refugiados espalhados pelo mundo, ou cerca de 86 milhões de pessoas, contribuem activamente para a economia global. O relatório do PNUD refere que países como Portugal, a Islândia ou a Coreia do Sul estão “perto do ideal de um estado-nação culturalmente homogéneo”, acrescentando no entanto, que “até países conhecidos pela sua homogeneidade podem ser desafiados por ondas de imigração, como aconteceu na Holanda e na Suécia”. Segundo a ONU, a questão da imigração representa um dos maiores desafios do nosso país, desde que este se transformou num país de acolhimento. Segundo os dados das Nações Unidas, o número de imigrantes que residem em Portugal aumentou de 21 mil em 1995, para 104 mil em 2000, representando respectivamente 0,5 e 2,2 por cento da população total. O relatório sublinha que “os imigrantes podem, querem e devem ser capazes de continuar envolvidos com os seus países de origem, sem comprometer o seu empenhamento ou a sua lealdade para com os seus países de recente adopção”, dizem os autores, acrescentando que “a identidade não é um jogo de soma zero». “O desafio é delinear políticas que aumentem e não que reduzam as opções, protegendo as identidades nacionais e mantendo ao mesmo tempo as fronteiras abertas a novas pessoas, culturas e ideias”, resume Fukuda-Parr, responsável pelo documento. Fonte: Lusa/ACIME

Publicado: Sexta, 16 Julho, 2004

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