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Nigéria ultrapassa Angola nas relações petrolíferas com São Tomé

São Tomé e Princípe alimenta a rivalidade entre Angola, “tutor” histórico do pequeno arquipélago, e a Nigéria, o gigante petrolífero do Golfo da Guiné, ambos atraídos pelas perspectivas de petróleo nas suas águas territoriais. Oficialmente, tudo vai bem entre os três países, asseguram fontes diplomáticas, considerando a acçõa de Angola e da Nigéria de complementares e coincidentes com os interesses de São Tomé. "Todos temos necessidade de manter relações históricas e políticas com Angola, e relações comerciais com o Nigeria", sublinha o embaixador da Nigéria em São Tomé, Saidu Pindar. Seja a nível linguístico, cultural ou ainda político, Angola é, desde a independência de São Tomé em 1975, um aliado privilegiado desta antiga colónia portuguesa. Descendentes de escravos, os cidadãos angolanos formam uma comunidade de 5 a 6.000 pessoas em São Tomé. Vários acordos vinculam os dois países e, desde a tentativa de golpe de Estado de Julho de 2003, Angola forneceu uma importante ajuda, nomeadamente no domínio da formação dos polícias santomenses. Quanto ao petróleo, o protocolo de acordo assinado o 9 de Outubro de 2003 fez de Angola um "conselheiro" das autoridades santomenses na gestão dos benefícios que resultarão de exploração. Mas, desde a assinatura de um acordo de exploração conjunta de 9 blocos petrolíferos off-shore, Abuja faz cada vez mais sombra a Luanda. Até essa altura, a cooperação bilateral de São Tomé com a Nigéria limitava-se a acordos de formação. O petróleo alterou tudo. A Nigéria adiantou 20 milhões de dólares para o arranque da exploração e empresas nigerianas estão coladas à exploração dos blocos petrolíferos. O mês passado, o presidente santomense Fradique de Menezes assinou vários acordos com Abuja, nomeadamente sobre educação e sobre a abertura de uma ligação aére directa entre os dois países, que existia já entre a São Tomé e Angola. Um acordo militar preparado pela Nigéria está nesta altura a ser estudado por São Tomé. Para os investidores estrangeiros, não há dúvidas que o melhor caminho para chegar a São tomé é passar primeiro pela Nigéria. Uma tal aproximação, de acordo com os observadores, é alimentada igualmente pela rivalidade política que opõe o partido do presidente de Menezes, o Movimento Democrático das Forças da Mudança (MDFM), e o da primeira-ministro, Maria das Neves, o Movimento de Liberação da São Tomé e Princípio (MLSTP). O partido no poder no Angola desde a independência, o MPLA, é considerados como o patrono do MLSTP, antigo partido único, que tem estado na origem dos últimos meses de tensões entre os partidos da Oposição santomense e Angola. Talvez por isso seja mais fácil ao presidente Fradique de Menezes trabalhar com a Nigéria, mau grado as ligações, até familiares, que tem com Angola. As relações com a Nigéria são inevitáveis para explorar o petróleo. No entanto, para evitar que as relações entre Angola e a Nigéria se compliquem, outros países do Golfo da Guiné estão a tentar uma solução de compromisso. Nesse sentido o Conselho de Cooperação do Golfo da Guiné poderá ajudar a controlar as ânsias económicas e geoestratégicas de Angola e da Nigária, sugere Patrice Trovoada, presidente da Aliança Democrática Independente e conselheiro especial para o petróleo junto do presidente. Fonte: Notícias Lusófonas

Publicado: Quinta, 15 Julho, 2004

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