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Paulo Mendes | "As quotas dos imigrantes na política não podem ser descartas"

Angra do Heroísmo, 21 mar (Lusa) - O responsável pela Associação de Imigrantes dos Açores (AIPA) defendeu hoje, em Angra do Heroísmo, a criação de um sistema de quotas para a representação política dos imigrantes. Paulo Mendes, presidente da direção da AIPA, que promoveu hoje a Conferência "Racismo, Integração e Mobilidade", disse à Lusa existir "ainda invisibilidade" e "sub-representação" das comunidades imigrantes. "Não há uma tensão na representatividade dos imigrantes e seus descendentes, o que quer dizer que há algum sistema que está a falhar", referiu, defendendo ser necessário ultrapassar a "fase da sensibilização". "Se não está a funcionar essa sensibilização, temos de colocar em cima da mesa a questão das quotas dos imigrantes e seus descendentes na esfera da participação política", reforçou. Para o porta-voz dos imigrantes açorianos, trata-se de uma preocupação agravada pela "ideologia anti-imigração" provocada pela crise económica. "Hoje, no contexto de crise económica que vivemos, há um caminho muito fértil para situações de discriminações e a produção de um discurso e ideologia anti-imigração que devemos fazer todos os esforços para contrariar", alertou. Paulo Mendes deu como exemplos "opções políticas" em Inglaterra que "deviam envergonhar", com "recentes gratificações às forças policiais para deportar imigrantes", ou na Suíça, com "aprovação de leis anti-imigração" e ainda em vários pontos da Europa, através de "centros de detenção que tratam os migrantes como criminosos". Em resposta, o secretário de Estado adjunto do ministro-Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Pedro Lomba, presente na conferência, referiu rejeitar a proposta das quotas para "evitar uma politização" da matéria. "Temos evitado a politização excessiva, contraproducente, do tema das migrações", referiu Pedro Lomba, justificando que a sua representatividade "tem de ser, pelo contrário, incorporada na agenda mais geral de responsáveis e partidos políticos". Na conferência que assinala, hoje, o Dia Internacional da Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, o presidente da AIPA referiu registar-se, desde 2008, uma "objetiva diminuição" de imigrantes no arquipélago devido à "crise no mercado tradicional". Atualmente, informou, existem cerca de 3.500 imigrantes na região, oriundos de 80 países, sobretudo do Brasil e Cabo Verde, que representam 1,35% dos residentes nas ilhas, quando, a nível nacional, os imigrantes são meio milhão, ou seja, 5% da população residente em Portugal e 12% da população ativa.

Publicado: Quarta, 26 Maro, 2014

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