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Jovens contribuem para o diálogo intercultural nos Açores

5 jovens de 5 países diferentes que têm em comum a paixão pela natureza e tranquilidade dos Açores.

Os Açores têm recebido anualmente jovens de diversas proveniências que vêm para o arquipélago para um estágio profissional, através do programa Eurodisseia, para realizar um semestre ou um ano escolar com o programa Erasmus, e há ainda quem venha para dar continuidade aos seus estudos na Universidade dos Açores. São jovens que contribuem para o diálogo e o entendimento interculturais.  

Tamara Bilbija, Kathleen Leroy, Emese Bandi, Jayne Bostock e Reinaldo Salomão são cinco exemplos destas mobilidades que dão corpo à interculturalidade nos Açores. No programa “O Mundo Aqui” do passado dia 9 de fevereiro, estivemos à conversa com estes jovens e ficamos a saber como está a ser o percurso de cada um nestas ilhas. 

Iniciámos o diálogo precisamente com a questão: Por que escolheram os Açores? Tamara Bilbija, natural da Sérvia, e formada em jornalismo, foi a primeira a responder. O Eurodisseia trouxe-lhe aos Açores e foi através de uma amiga que optou pelo arquipélago para realizar o programa. “Um dia uma amiga disse-me que ia fazer um Eurodisseia e que queria ir para os Açores, porque hoje são as ilhas mais bonitas. Foi o suficiente para me incentivar a vir”. Com este argumento, Tamara começou a imaginar os Açores como um arquipélago formado por ilhas paradisíacas, em que “no meio do inverno pudesse ir à praia e apanhar sol”. “Quando cheguei, foi uma surpresa para mim”. Não havia o sol e o calor que esperava, porém ficou encantada com a natureza e o mar. 

Conta que a língua foi uma das principais dificuldades que teve de enfrentar. Veio sem nenhum conhecimento da língua portuguesa e sem experiência em qualquer outro idioma parecido. “É muito engraçado porque quando cheguei a única coisa que sabia dizer era “Olá”, mas depois com o Estágio na Rádio e de conversar com tantas pessoas, hoje consigo ter uma conversa em português”. 

Kathleen Leroy, oriunda da Bélgica, e formada em antropologia, também veio através deste programa de mobilidade profissional, onde realizou um estágio na Universidade dos Açores. Esta belga não escolheu os Açores para fazer o Eurodisseia. “Foi a oferta de estágio que me trouxe aqui”. Conta que chegou sem conhecer nada sobre os Açores. “Mas, no final tive uma boa surpresa, já estou cá há quase um ano e ainda não consegui sair das ilhas”. 

Jayne Bostock da Inglaterra veio, por seu turno, em setembro de 2012, através de um programa europeu de estágios para professores. Para esta professora de inglês, o mar e o sol fê-la escolher os Açores para a sua experiência profissional. “Também optei por Portugal porque quero vivenciar uma nova experiência num país diferente e aprender uma nova língua”, acrescentou. 

Apesar de ter chegado há poucos meses, conta que está a gostar do trabalho, das paisagens e de fazer trilhos por São Miguel. “Estou a gostar muito de estar cá é muito diferente de Inglaterra”. 

Nascida no Este da Roménia, Emese Bandi, formada em Artes Têxteis, veio para o arquipélago há cerca de dois, também pelo programa Eurodisseia. Responde à questão dizendo que antes de vir para os Açores, esteve na República Checa onde teve contacto com portugueses. “A partir daí tive vontade de aprender a falar português e de conhecer como era a vida aqui. Já tinha ouvido falar nos Açores, sabia que existia, mas não conhecia”.   

Reinaldo Salomão, natural da ilha de Santo Antão, Cabo Verde, tal como muitos jovens dos Países de Língua Oficial Portuguesa, veio para a ilha de São Miguel com o intuito de dar continuidade aos seus estudos. Está na Universidade dos Açores há três anos a frequentar o curso de engenharia mecânica. 

 Para este jovem cabo-verdiano, “a nostalgia das ilhas” trouxe-lhe aos Açores. Antes de vir, viveu em Luxemburgo, onde tem grande parte da sua família a residir. “Quem viveu nas ilhas tem sempre aquela necessidade de ver o mar e o horizonte”. 

  Quisemos saber como é a relação destes jovens com a sociedade açoriana. Tamara responde que no início passava a maior parte dos seus tempos livres com os colegas que vieram como ela para fazer um estágio com o mesmo programa. “Mas depois, fiz amigos açorianos. São pessoas simpáticas, porém inicialmente ficam mais receosos”. Acrescenta que talvez a língua tenha sido para si uma fronteira nas relações sociais. Kathleen partilha da mesma opinião de que nos primeiros dias é difícil fazer-se amizade com os açorianos. “Os meus amigos cá também são mais do programa Eurodisseia porque chegamos na mesma altura”. Emese Bandi reforça a ideia de que as dificuldades com a língua portuguesa fazem com que se aproximem mais com os jovens do programa Eurodisseia. A inglesa Jayne Bostock responde, por sua vez, que já tem alguns amigos de cá. “E recentemente, comprei um carro que me vai permitir conhecer a ilha e ter mais contacto com as pessoas da terra”, disse. Por fim, chegou a vez de Reinaldo responder. Este conta-nos que os três anos de residência na ilha permitiram fazer amigos açorianos, mas também cabo-verdianos, através da universidade, do desporto e do contacto com a comunidade cabo-verdiana a residir em São Miguel. 


Publicado: Quinta, 21 Fevereiro, 2013

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