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Imigrantes do centro e norte da Europa essenciais no desenvolvimento

 

Os imigrantes do centro e norte da Europa são uma “peça chave” para o desenvolvimento das regiões fronteiriças de Portugal e Espanha, segundo uma investigação da Universidade de Coimbra (UC) relacionada com fluxos migratórios.

“Se várias comunidades de imigrantes não se tivessem instalado nas regiões fronteiriças do Alto Alentejo e de Badajoz, muitas áreas estariam completamente despovoadas e abandonadas”, revela uma nota de imprensa sobre a investigação do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (GEGOT) da Faculdade de Letras da UC.

Fátima Velez de Castro, autora da investigação, diz que os imigrantes, provenientes de países como Inglaterra, Alemanha ou Holanda, fixaram-se na última década na zona da Serra de São Mamede (Portalegre), contribuindo para que essa região sofresse “grandes alterações positivas” na preservação e requalificação da paisagem natural e construída.

“No grupo, além de reformados, há pessoas com maior poder de compra, que chegaram ao topo da carreira” e optaram por se instalar naquelas regiões “deprimidas” de Portugal e Espanha, investindo em negócios próprios, desde a produção de vinho e azeite, à pecuária, agroturismo e turismo rural.

Os investimentos, disse Fátima Velez de Castro, “estimularam a economia regional”, fazendo com que as áreas mais “repulsivas” daquelas regiões ganhassem “um novo dinamismo” demográfico.

“Um dado curioso é que, enquanto o paradigma comum encara o despovoamento como um problema premente, os imigrantes encaram o fenómeno das baixas densidades populacionais como um fator atrativo e decisivo para a fixação nestes territórios, pois permite-lhes uma qualidade de vida muito boa”, acrescentou.

Além dos imigrantes com maior poder de compra e de alguns reformados, há também imigrantes laborais “em idade ativa”, que trabalham na agricultura e construção civil, “que vêm mais à aventura ou através da recomendação de amigos” e acabam por conseguir emprego em áreas onde a população local “não trabalha”, indicou a investigadora.

Fátima Velez de Castro revelou que, segundo os registos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e da entidade homóloga espanhola, existem nas regiões fronteiriças de Portugal (Alto Alentejo) e Espanha (província de Badajoz) pessoas de 164 nacionalidades, o que, na sua opinião, “evidencia a diversidade humana do território”.

A investigação foi promovida, ao longo dos últimos cinco anos, no âmbito de uma tese de doutoramento e apoiada pela Fundação para a Ciências e Tecnologia (FCT) e pelo Centro de Estudos Ibéricos da Guarda (CEI). Incidiu em sete concelhos da região do Alto Alentejo (Marvão, Castelo de Vide, Portalegre, Monforte, Arronches, Campo Maior e Elvas) e em duas comarcas espanholas (Alburquerque e Badajoz).

CNotícias.net, 16 de julho de 2012.

 

Publicado: Quinta, 19 Julho, 2012

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