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Migrações começam a recuperar na Europa após três anos de queda

Os fluxos migratórios voltaram a aumentar na Europa em 2011 após três anos consecutivos de queda devido à crise, revela um relatório da OCDE, segundo o qual os imigrantes são particularmente vulneráveis ao desemprego. O relatório anual da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico sobre as migrações, hoje divulgado, compila dados sobre os fluxos migratórios para 23 países da organização mais a Rússia até 2010 e conclui que diminuíram 4% em 2008, 7% em 2009 e 3% em 2010. Em 2010, último ano de que há estatísticas oficiais - os números de 2011 só deverão estar concluídos no final deste ano -, 4.113.300 imigrantes entraram nestes 24 países. Antes da crise, em 2007, eram 4.768.300. No entanto, revela o relatório, os números preliminares de 2011 mostram «os primeiros sinais de uma recuperação nos fluxos migratórios na maioria dos países europeus - com excepção da Itália (-15%), Espanha (-3%) e Suécia (-2%) - assim como na Austrália, Nova Zelândia e nos EUA». Na maioria dos casos, os aumentos não são grandes, variam entre 1% na Dinamarca e 8% na Noruega. Mas há excepções, como a Irlanda, que registou um aumento de 44%, a Alemanha (21%), o Luxemburgo (21%), o Chile (19%), a Áustria (15%) e a Finlândia (13%). «A imigração para a Irlanda parece voltar a recuperar, apesar de num nível muito mais modesto do que antes da crise», pode ler-se no relatório. Em 2007, o país registou a entrada de 89.600 imigrantes, número que baixou para 17.400 em 2010. O relatório explica os aumentos na Áustria e na Alemanha com a implementação da livre circulação nos países que entraram na União Europeia em 2004. Outra conclusão do relatório aponta para um aumento da emigração nos países da Zona Euro mais afectados pela crise, em particular a Grécia, a Irlanda, Itália, Portugal e Espanha. «Os números disponíveis até à data sugerem que a emigração desde estes países tem de facto aumentado, mas apenas modestamente», pode ler-se no documento. Em causa estará a crise e o consequente aumento do desemprego que, segundo o relatório da OCDE, afectou os imigrantes de forma dura e quase imediata na maioria dos países da organização. «Em termos globais, na OCDE, a taxa de desemprego entre os estrangeiros aumentou quatro pontos percentuais entre 2008 e 2011, quando entre os nativos aumentou apenas 2,5 pontos percentuais», escrevem os autores do relatório, alertando que ainda mais preocupante é o aumento do desemprego de longa duração. Na maioria dos países, sublinha, «os imigrantes são responsáveis por entre 14 e 30% do aumento total do desemprego de longa duração, um número que é, na maioria dos casos, muito superior à sua parte no emprego total». O relatório alerta ainda para o caso dos jovens imigrantes, que são os mais vulneráveis ao desemprego, e apela aos países que adoptem medidas específicas, tanto durante a crise como durante o período de recuperação, para ajudar os jovens estrangeiros e pouco qualificados a encontrar emprego, já que estes sofrem uma combinação de desvantagens.

Lusa/SOL, 27 de junho de 2012 

Publicado: Quinta, 28 Junho, 2012

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