AIPA

Em ano eleitoral, Obama alivia deportações de jovens imigrantes ilegais

A história veio na primeira página do Washington Post na segunda-feira: Heydi Mejia, uma estudante que entrou ilegalmente nos Estados Unidos com a mãe quando tinha quatro anos iria ser deportada para a Guatemala uns dias depois de terminar o liceu.

A mãe de Heydi preparou uma festa de finalista, mas ela estava inconsolável. “Para quê?” Aos 18 anos Heydi sentia que a sua vida era um beco sem saída. 
Mas no mesmo dia em que a história foi publicada, o Departamento americano de Segurança Interna (Homeland Security), responsável pela aplicação das leis da imigração, decidiu adiar a deportação um ano, permitindo a Heydi inscrever-se na faculdade. 
Não é um caso único. Ontem, a Administração Obama anunciou que vai deixar de repatriar milhares de jovens como Heydi, que entraram ilegalmente nos Estados Unidos quando eram crianças e querem ficar. A medida surge a cinco meses das eleições presidenciais e tem como alvo uma comunidade de imigrantes que é considerada crucial para a reeleição de Obama: a população latina, que está a crescer nos Estados Unidos, tende a votar maioritariamente em candidatos democratas. 
A iniciativa, que entrou imediatamente em vigor, aplica-se a imigrantes até aos 30 anos que tenham entrado nos Estados Unidos antes dos 16 e residam no país há pelo menos cinco. Eles devem frequentar a escola, ter um diploma escolar ou ter servido nas forças militares americanas. Jovens imigrantes com cadastro estão excluídos. 
Na prática, a medida traduz-se numa moratória: o Departamento de Segurança Interna concede dois anos de permanência nos Estados Unidos aos jovens elegíveis, que poderão ser renovados no final desse período. Não se trata de uma amnistia nem de uma via para a obtenção de cidadania ou residência permanente, precisou a secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano, numa conferência de imprensa telefónica. É uma solução temporária que tem a ver com a forma como o Governo decide fazer cumprir as leis da imigração e quais as suas prioridades nessa área. 
Uma questão de estilo ou de abordagem, que não compromete futuras administrações. Estima-se que a medida irá afectar 800 mil pessoas.

Público, 15 de junho de 2012. 

Publicado: Segunda, 18 Junho, 2012

Retroceder

Associe-se a nós AIPA

Agenda

Subscreva a nossa newsletter