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Estudo sobre a população imigrante no Concelho de Ponta Delgada

A Associação dos Imigrantes nos Açores – AIPA – e o Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes de Ponta Delgada, em parceria com o Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores, lançaram na passada quinta-feira, dia 10 de maio, na Livraria Solmar um estudo intitulado “Diagnóstico da População Imigrante no Concelho de Ponta Delgada. Desafios e Potencialidades para o Desenvolvimento Local”.

A cerimónia de lançamento, que contou com a presença da Professora Gilberta Rocha e do Professor Licínio Tomás, do CES-UA, foi antecedida de uma apresentação com testemunhos de 5 imigrantes residentes na Região que abordaram alguns dos temas apresentados no estudo.

O estudo conta com uma amostra de 451 inquiridos num universo de 882 indivíduos a residir no concelho de Ponta Delgada, que corresponde a aproximadamente a um quarto do total de cidadãos estrangeiros residentes na Região.

Esta é uma imigração maioritariamente masculina (63,9%) e jovem, apesar de que nos últimos tempos têm-se assistido a uma feminização dos fluxos migratórios devido à reunificação familiar.

No que se refere à origem dos imigrantes, o estudo indicou que a maioria provem de países lusófonos africanos (53,2%), com destaque para Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Angola, aparecendo em segundo lugar a comunidade brasileira ( 27,5%) e, em terceiro, os cidadãos ucranianos (12,4%).

Na distribuição da população ativa imigrante inquirida pelas várias categorias socioprofissionais, a investigação revelou, em primeiro lugar, algum subaproveitamento das qualificações possuídas. Encontram-se nos grupos de baixas qualificações (operários, artífices e trabalhadores similares) 28,7% dos inquiridos, 21% desempenha funções ou tarefas como “pessoal dos serviços e vendedores”, a que se segue o grupo de “técnicos profissionais de nível intermédio”, com 13,5%.

Em relação às condições de vida e o acesso à habitação dos imigrantes no concelho de Ponta Delgada, verificou-se que 78,1% dos inquiridos residem numa casa onde, em média, moram de um a três indivíduos não familiares. Por outro lado, os imigrantes habitam, na sua maioria, em apartamentos e/ou moradias do tipo clássico (67,2%).

Sobre a questão da discriminação dos imigrantes em Portugal, os inquiridos responderam maioritariamente que os imigrantes são discriminados algumas vezes (61,9%). Quando questionados acerca da sua própria experiência, a maioria perceciona a não discriminação na sociedade açoriana como norma (53,4%), enquanto 46,6% admite que esta existe.

É no processo de arrendamento de habitação que 16% dos imigrantes diz ter sido alvo de discriminação, seguem-se os cafés ou restaurantes, os supermercados, no trabalho e, por fim, nos serviços públicos.

Outro dado importante que o estudo revela, relativamente à participação política dos imigrantes em Ponta delgada, é que 81,6% não exerce o seu direito de voto.

O estudo contou com o apoio do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural – ACIDI – e do Fundo Europeu de Nacionais de Países Terceiros – FEINPT.

Rumos Cruzados, 17 maio de 2012. 

Publicado: Quinta, 17 Maio, 2012

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