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"Um quarto dos imigrantes vive em Ponta Delgada"

Estudo revela que, num universo de mais de 3.500 imigrantes nos Açores, 1.675 vivem em S. Miguel, estando 882 concentrados no concelho de Ponta Delgada.

O presidente da Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA) revelou ontem que a capacidade de gerar oportunidades de emprego faz com que mais de um quarto dos imigrantes residentes no arquipélago viva no concelho de Ponta Delgada.

Na apresentação de um estudo sobre a população imigrante em Ponta Delgada, Paulo Mendes referiu que, “num universo de mais de 3.500 imigrantes nos açores, o concelho de Ponta Delgada acolhe mais de um quarto”. Os dados divulgados pela AIPA indicam que vivem em São Miguel 1.675 imigrantes, maioritariamente brasileiros, cabo-verdianos e ucranianos, dos quais 882 estão concentrados no concelho de Ponta Delgada. “Estamos a falar de uma imigração maioritariamente masculina, se bem que nos últimos tempos assistimos a uma feminização dos fluxos migratórios devido ao  reagrupamento  familiar”, salientou  o  presidente  da AIPA, adiantando que, desde 2008, se regista uma diminuição  dos  fluxos  migratórios devido  à  crise  em  Portugal.

No concelho de Ponta Delgada, 10% dos imigrantes são licenciados e apenas 2,2% não possui nenhum nível de instrução. O estudo, denominado “Diagnóstico da População imigrante no Concelho de Ponta Delgada. Desafios e Potencialidades para o desenvolvimento Local” e que resultou da  parceria  entre  a AIPA e o Centro de Estudos sociais  da  Universidade  dos Açores,  indica  ainda  que cerca  de  um  quinto  dos imigrantes está desempregado  e  outros  tantos trabalham por conta própria.

Esta investigação insere-se num projeto de âmbito nacional, que envolveu 22 autarquias e pretende conhecer mais em  pormenor  as  diferentes dinâmicas  migratórias  nos municípios, de modo a que o poder local possa atuar e desenvolver políticas de integração mais ajustadas à realidade.

“Este estudo chama a atenção das autarquias para estarem  atentas  e  terem políticas direcionadas para a integração  dos  imigrantes”, afirmou Paulo Mendes, acrescentando que, no concelho de Ponta  delgada,  apenas  16% dos imigrantes diz ter sido alvo de discriminação, nomeadamente ao nível do acesso à habitação. Outro dado importante do estudo, segundo o presidente da AIPA, é o fato de a participação política  dos imigrantes em Ponta  delgada ser “absolutamente residual”, uma vez que 81,6% não exerce  o  seu  direito  de  voto.    

Diário Insular, 12 de maio de 2012. 

Publicado: Tera, 15 Maio, 2012

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