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"PDL-LIS" vence prémios Açores e Novo Talento Regional

Quem é o Diogo? Essa pergunta é complicada. Neste momento, o Diogo é um moço em fase de formação de personalidade adulta cheio de trabalho. Também é solteiro e bom rapaz.

O que levou o Diogo a abordar o tema das migrações, refletindo sua própria contradição com os Açores? Pensei somente em retratar essa tal relação amor/ódio que tinha com os Açores e se intensificou quando vim para Lisboa. A distância e o tempo separam-nos cada vez mais e só à medida que fui mostrando o filme a amigos é que me apercebi do potencial do tema. No fundo é um filme sobre uma migração, mas dito assim é muito geral - é um regresso a casa e uma reflexão sobre isso e tudo aquilo que o tempo vai tirando ou trazendo.

Foi uma abordagem muito pessoal e honesta.. Estou a tentar procurar uma resposta que não me faça parecer demasiado pretensioso ou um intelectual incompreensível. Isto pode parecer conversa da treta mas sou da opinião que a arte, especialmente uma como o documentário, deve ser sobre dar algo de nós aos outros. Um ponto de vista, uma opinião, uma perspectiva que venha do coração e seja genuína dá sempre outro valor a uma obra. Aprendi que se quisesse que este fosse um filme verdadeiro sobre a minha relação com a casa não faria sentido feito de outra maneira que não sendo sincero. Sinto que não minto no filme.

Expôs a sua família, os silêncios e a cumplicidade com os amigos. Foi algo muito preparado e foi acontecendo durante a rodagem do documentário? Tinha algumas ideias sobre aquilo que queria captar – a minha família, as pessoas, os amigos - mas não sabia bem com que abordagem. Quis ser o mais natural possível nas minhas conversas, portanto foi uma questão de muita improvisação durante os quatro dias de gravação. Manter as coisas simples, deixá-las andar e não pensar muito ajudou-me a captar momentos como a conversa que tive com lavradores que nunca tinha conhecido na Ribeira Grande.

Ganhou o prémio de Novo Talento Regional e o Prémio Açores. Estava à espera? O primeiro prémio para mim foi ver o meu filme exibido no primeiro festival a que concorri na vida, especialmente num sítio tão simbólico para mim como Teatro Micaelense. O reconhecimento que tive por parte do júri e da Restart foram, de facto, uma surpresa espectacular e foi bom ver isso acontecer com um trabalho no qual tenho tanto orgulho.

Rumos Cruzados, 26 de abril de 2012. 

Publicado: Quinta, 26 Abril, 2012

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