AIPA

Estudantes que dão corpo à interculturalidade nos Açores

Os Açores têm recebido anualmente no âmbito da sua Universidade e do programa ERASMUS jovens estudantes de diversas proveniências que vêm para este arquipélago aprofundar os seus conhecimentos, conhecer uma outra cultura e mesmo aprofundar o conhecimento da língua portuguesa. Gloria Peinado de Espanha, Constantinos Lapadakis da Grécia e Daniele Franco de Itália são três exemplos desta mobilidade. No programa de rádio “O Mundo Aqui” do passado dia 12 de Novembro tivemos o prazer de os ter como convidados. Ficamos a saber como tem sido a experiência de cada um nos Açores.

Iniciámos a conversa precisamente com a questão: O que acham da nossa Universidade? Para Glória Peinado, 22 anos, aluna de Biologia, é uma boa Universidade, sobretudo, para a sua área. Aliás, acrescenta, “os Açores são um ótimo sítio para se estudar e trabalhar na área de biologia”. Para além disso, “o trabalho está a correr bem e penso que vou aprender muito cá”, disse. Daniele Franco, 21 anos e a estudar Literatura e Filosofia em Itália, respondeu que “a universidade é muito bem organizada”. Para justificar a sua resposta comparou-a com a Universidade de Bolonha onde estuda em Itália. “A Universidade de Bolonha, a maior da Europa, tem muitas pessoas e é difícil ter-se um bom aproveitamento”. Também o relacionamento com o professor é mais distante. A Universidade dos Açores tem menos alunos e estes têm uma ligação mais próxima com o professor. “Podemos falar com ele, fazer perguntas nas aulas e isto ajuda muito, principalmente, com a língua”. Daniele acrescenta que esta academia facilita a integração dos estudantes estrangeiros. Em inglês, o grego Constantinos Lapadakis transmitiu o gosto que tem pela Universidade dos Açores, referindo que “as aulas são interessantes e que o Campus Universitário muito bom”. Para além disso, acrescentou que o lugar é calmo e ajuda a concentrar nos estudos. Quanto às suas dificuldades com a língua portuguesa Constantinos dizia que se torna mais difícil para ele. No entanto, “os professores ajudam-me muito, tentam traduzir-me para inglês as coisas que estão a dizer em português”, explicou. Não é fácil mas mesmo assim tenta perceber a matéria das aulas. Antecipou-se e referiu que a razão pela qual escolheu os Açores para fazer ERASMUS foi a de melhorar o seu português.

Há quem tenha uma imagem muito romântica do arquipélago dos Açores. Quisemos saber se foi esta imagem que os motivou a escolher a ilha de São Miguel para fazer o ERASMUS. De entre as grandes cidades como Paris ou Londres Daniele Franco preferiu um lugar mais tranquilo. Por outro lado, um lugar onde tivesse “a possibilidade de ficar mais perto das pessoas”. “Os açorianos são simpáticos e muito acolhedores para com os estrangeiros”, talvez porque não estejam acostumados a este grande “melting pot”. Para Gloria Peinado, a Biologia Marinha foi a primeira motivação para escolher os Açores. E tal como o seu colega italiano procurava um lugar tranquilo para fazer este programa de mobilidade académica. “Eu queria trocar a vida agitada de Barcelona para um lugar mais calmo e por isso eu escolhi os Açores, sendo que são um lugar pequeno, tranquilo e cheio de natureza, perfeito”, confessou. Constantinos não quis repetir os colegas e disse veio para cá pelas mesmas razões. Mas acrescentou, “é um lugar especial e muito diferente da Grécia. Gosto muito, é uma ilha fantástica”.

Sobre a primeira impressão que tiveram dos Açores e da ilha quando aterraram no Aeroporto João Paulo II, os três estudantes deram-nos respostas engraçadas. “Cheguei quando eram 08h ou 08h30, a tarde estava a cair e era possível ver-se o pôr-do-sol. E depois de 2 horas por cima do oceano, era como que se estivesse no paraíso”, respondeu-nos Danielle Franco. À Gloria Peinado o que a impressionou mais foi a distância entre o aeroporto e o mar. “Como gosto muito do mar, enquanto aterrámos no aeroporto não parei de olhar para a janela”, afirmou. Para Constantinos deu-lhe a sensação de que chove muito neste arquipélago.

O que levam dos Açores? Foi com esta questão que terminamos a conversa. Constantinos Lapadakis respondeu que consigo leva a sensação que se quando se olha para o mar dos Açores. Gloria peinado prefere o cheiro da natureza ou da terra molha quando chove. “Mas também a imagem do mar que se pode ver em qualquer ponto da ilha”. Com sorrisos, Daniele responde que consigo levaria o oceano, “visto que o tem em todo o lado”. Mas por esta impossibilidade resta-lhe as memórias: “do oceano, do ar fresco de todos os dias, da natureza e do verde.”

Rumos Cruzados, 1 de Dezembro de 2011.

Publicado: Tera, 06 Dezembro, 2011

Retroceder

Associe-se a nós AIPA

Agenda

Subscreva a nossa newsletter