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A Angola está em Belém

Os aromas e sons de Luanda, capital Angolana, estarão de hoje até quinta-feira, dia 6, na Casa da Atriz, graças à presença do cantor e ator africano Chalo. Ele participa do “Noites Angolanas”, evento que engloba a singularidade cultural do país de língua portuguesa.
Apesar de viver em Lisboa há duas décadas, Chalo traz a arte do seu país para Belém numa curta temporada. “Já me apresentei em outros estados da Amazônia, mas essa é a primeira vez que venho para o Pará. Estou realmente entusiasmado com essa oportunidade. Acho fantástica a possibilidade de estimular essa ação de intercâmbio entre a cultura africana, que faz parte das minhas raízes, a cultura europeia, que vivencio há vinte anos, e a cultura brasileira, que tanto me interessa”, afirmou o multiartista.
Chalo já se apresentou na Rússia, Itália, Espanha, França, e traz para cá um cardápio variado de canções em formato pocket show. Ele também bate um papo com o público sobre suas vivências no dramático cenário de guerra civil de Luanda, sobre suas experiências no universo cultural europeu, lerá poemas de escritores angolanos contemporâneos e ainda servirá a todos um jantar típico da mãe África.
Ele propõe ao público uma viagem pelos sabores do continente africano através dos pratos moamba da galinha, funji (espécie de polenta) e feijão de óleo de palma. “Pouco antes de embarcar para o Brasil, realizei um evento nesses moldes na Casa do Brasil em Lisboa. Esse tipo de programação costuma fazer bastante sucesso em Portugal”, adiantou Chalo.
Trovador, compositor, cantor e guitarrista, Chalo é ainda um exímio tocador de percussão (kongas) e de dikanza (recoreco), além de passear com certa desenvoltura por vários estilos africanos como a kilapanga, semba e rebita. Suas composições também refletem o estilo próprio que o caracteriza, fruto das diferentes culturas que influenciaram sua formação artística. Para além da musica, é ativista cívico e colabora com associações de imigrantes, atua no SOS Racismo em Portugal e realiza oficinas sobre África.
Para ele, os laços que unem o Brasil à Angola são bastante singulares. “Muitas palavras que hoje são corriqueiramente usadas na fala do povo brasileiro têm sua origem em Angola. Exemplos disso são expressões como cafuné, moleque e capanga”, ensinou Chalo, ressaltando as peculiaridades e semelhanças, como as letras e melodias das canções angolanas que transmitem o sentimento e a alegria do seu povo dentro de uma dimensão espiritual, como só a boa arte faz.

PARA CURTIR
“Noites Angolanas” com o cantor, compositor e ator africano Chalo. Hoje, amanhã e quinta-feira, às 20h, na Casa da Atriz (Rua Oliveira Belo, 95, entre Av. Generalíssimo Deodoro e Trav. Dom Romulado de Seixas).

Diário do Pará, 4 de outubro de 2011.

Publicado: Tera, 04 Outubro, 2011

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