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Lula da Silva nas comemorações da Independência do Brasil

O ex-Presidente brasileiro Lula da Silva disse hoje em Lisboa que neste momento de crise que o mundo atravessa todos devem fazer sacrifícios, incluindo os portugueses, sublinhando que vai se empenhar em desenvolver as relações económicas entre Brasil e Portugal.

Lula da Silva falou aos jornalistas à saída de um encontro com o Presidente português, Aníbal Cavaco Silva, no dia das comemorações da independência do Brasil. "Eu acho que na hora que o país está bem, todos ganham, e na hora que o país está em crise, é preciso que todos façam sacrifícios. Todos têm de fazer um mínimo de sacrifício para que todos possam ganhar no futuro, muito mais rápido, do que numa crise prolongada", referiu o ex-Presidente brasileiro. "A crise não é um momento para fazermos lamentações. É um momento de colocarmos a cabeça para funcionar, sermos criativos e tentar encontrar uma solução", disse. "É uma crise que não é de Portugal, é mundial, causada sobretudo a partir dos Estados Unidos e contaminou a Europa porque os bancos europeus estavam também envolvidos na especulação imobiliária", referiu. "Eu, por exemplo, acho que a Europa precisa voltar a ter um pouco de consumo porque é isso que pode gerar emprego. Os Estados Unidos precisam voltar a consumir porque é isso que vai gerar emprego", indicou. Lula da Silva disse que conversou com empresários portugueses e pensa que a relação Portugal-Brasil deve ser reforçada. "É muito pouco o fluxo comercial entre Brasil e Portugal, penso que podem ter um fluxo infinitamente maior. O problema é que durante muito tempo Portugal olhou só para a Europa e o Brasil olhou para o mundo inteiro, menos para Portugal. Está na hora de voltar a olhar o potencial que os dois países têm para exportar, para ter uma atividade mais intensa, uma relação empresarial", comentou. O ex-Presidente disse que Portugal teve um papel importante nos anos de 1990 no Brasil, indicando que "foram 20 mil milhões de euros portugueses para investimentos no Brasil." "Penso que Portugal tem nichos de excelência em vários setores, portanto deve haver muito interesse de empresas brasileiras em associar-se a empresas portuguesas. "Espero, sinceramente, que Portugal e Brasil possam ter uma relação muito mais forte e eu disse ao Presidente Cavaco Silva que serei o embaixador desta participação brasileira neste processo de desenvolvimento de Portugal. Pessoalmente, já estou empenhado", sublinhou. O ex-Presidente brasileiro afirmou também que os europeus estão pouco habituados a viver situações de crise económica. "É preciso que as pessoas compreendam que parte das decisões são políticas e não económicas. Acho que neste momento a Europa, que tem um estágio de estado social muito avançado, pode recuperar rapidamente", declarou ainda. Para Lula da Silva, "é preciso disposição política para que isso aconteça. Não é justo que Portugal, Grécia e Espanha e outros países menores paguem pela crise causada pela especulação bancária norte-americana". "É importante que os mais ricos do mundo assumam responsabilidades para a recuperação da economia mundial", reiterou.

Publicado: Quarta, 07 Setembro, 2011

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