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Aki kaurismaki defende imigrantes

Filme Le Havre tem projeção no telão da Piazza Grande e trata da questão dos imigrantes na Europa. O cineasta sueco Aki Kaurismaki, cujos filmes são endeusados pela crítica e pelos apreciadores do cinema, decidiu tomar uma posição e se engajar na questão dos imigrantes na Europa. Seu filme, Le Havre , é um dos três filmes tratando diretamente dos imigrantes. Os outros dois são Vôo Especial , onde se denuncia a política da Suíça e o outro é o filme canadense Bachir Lazhar , sobre um professor argelino requerente de refúgio. O filme de Kaurismaki foi mostrado no Festival de Cannes, onde muitos críticos esperavam sua escolha para um dos prêmios. Ele próprio, já bastante conhecido por mostrar facetas diversas da miséria humana, explica porquê escolheu esse tema - " o cinema europeu não trata muito da agravação contínua das crises econômica, política e sobretudo moral causadas pela questão não resolvida dos refugiados. A sorte reservada aos extracomunitários que tentam entrar na União Européia é variável e com frequência indigna " Para Kaurismaki, a fraternidade mostrada no filme entre os habitantes de um bairro da cidade portuária francesa Le Havre, é alguma coisa importante. Se não houver mais fraternidade, a sociedade humana se tornará uma sociedade de formigas, como dizia Ingmar Bergman. O filme Le Havre tem um lado otimista e de esperança, o que constitui uma supresa na filmografia pessimista de Kaurismaki. Ele diz preferir nos contos de fadas, sempre a boa versão, assim no Chapeuzinho Vermelho prefere a versão em que come o lobo, mas, na vida real, prefere os lobos aos homens pálidos de Wall Street. Os filmes de Kaurismaki têm um colorido diferente, menos forte, e seus cenários escolhidos são ainda de um tempo passado, o que garante um charme em suas imagens da época dos anos 50, mesmo porque, como ele próprio confessa, a arquitetura moderna lhe faz mal aos olhos. Kaurismaki criou o personagem Marcel Marx, cujo nome tem alguma simbologia, para mostrar uma reação fraterna da parte de alguém que, mesmo sem recursos, acolhe um refugiado e o esconde da polícia. Ex-escritor, para ganhar alguns trocados Marcel é engraxate e tem uma vida pacata que se divide entre seu trabalho, o bistrô onde encontra amigo e toma seu aperitivo e sua esposa Arlety. A calma dessa vida regrada de Marcel Marx é quebrada com a fuga de um menino africano escondido num container, interceptado pela polícia de imigração, dentro do qual sua família e outros africanos esperavam chegar na Inglaterra. Embora com a esposa no hospital, Marcel dá acolha ao menino e conta com o apoio de outras pessoas do bairro para driblar as autoridades.

Expresso, 13 de Agosto de 2011.

Publicado: Sbado, 13 Agosto, 2011

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