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Há crianças vítimas de excisão no Vale da Amoreira

A denúncia foi feita por uma associação que trabalha com os guineenses daquela localidade da Moita.

As histórias vêm sem nomes e sem datas. No Vale da Amoreira, na Moita - onde vivem mais de 12 mil pessoas, 30% delas originárias da Guiné -, há crianças vítimas de um ritual que implica o corte do clítoris. "Identificamos na nossa comunidade pessoas que levaram a cabo a mutilação genital feminina e outras que pretendem fazê-lo. Aqui há famílias em que todas as mulheres foram excisadas. Há uns meses, tivemos conhecimento de que três meninas da mesma família foram mutiladas aqui no bairro e sabemos de outras que vão à Guiné para cumprir esse ritual", denunciou à Lusa Susana Piegas, da Associação de Imigrantes Guineenses e Amigos do Sul do Tejo (AIGAST), que trabalha há dez anos junto daquela população. Rosa Tavares, coordenadora do departamento de saúde da associação, é uma excepção entre as mulheres guineenses. É casada com um muçulmano, mas impediu que a sua filha fosse mutilada. Sobre a situação que se vive no bairro, está convicta de que o problema ainda é maior por existirem "muitas pessoas a ganharem dinheiro com a prática". A Organização Mundial de Saúde estima que mais de 140 milhões de mulheres, adolescentes e crianças tenham sido submetidas a esta prática. Sendo corrente em países africanos, tem sido importada por comunidades imigrantes para a Europa, onde o Parlamento Europeu estima que vivam cerca de 500 mil mulheres e crianças mutiladas. Em Portugal, o caminho "a trilhar no combate à mutilação genital feminina é manifestamente enorme", admite Ana Margarida Ferreira, da Amnistia Internacional. "Continuamos sem números. As associações que trabalham junto das comunidades imigrantes têm poucos recursos e não estão coordenadas entre si."

I Online, 8 de Agosto de 2011.

Publicado: Segunda, 08 Agosto, 2011

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