AIPA

Itália quer forçar a NATO a ir em auxílio dos imigrantes

O Governo italiano defendeu nesta sexta-feira uma “adaptação” da missão da NATO na Líbia para garantir que os navios que garantem o bloqueio ao regime de Muammar Khadafi se responsabilizam pelo socorro às embarcações com pessoas fugidas ao conflito.

A proposta surge em reacção à morte de dezenas de pessoas que tentavam a travessia, já depois de a Itália ter alertado a Aliança para a presença de um barco em dificuldades nas imediações de um dos seus navios. Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM), a embarcação deixou a Líbia no sábado e, pouco depois, ficou à deriva. Nos 20 metros do seu casco seguiam mais de 300 pessoas e poucos mantimentos. Os sobreviventes contam que, após seis dias em alto mar, “dezenas de pessoas” morreram e foram atiradas ao mar. Uma testemunha referiu a existência de uma centena de mortos. O naufrágio é o último de uma série de dramas semelhantes ocorridos no Mediterrâneo desde o início dos combates na Líbia, em meados de Março – Laura Boldrino, representante em Roma do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, calcula que “pelo menos 1500 pessoas” desapareceram no mar durante este período. Mas a imprensa italiana adianta que as mortes poderiam ter sido evitadas, uma vez que a NATO tinha um navio a pouco mais de 50 quilómetros do local. O socorro acabou por ser feito pela guarda costeira italiana, mas quando era já demasiado tarde para muitos dos náufragos. Nesta sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Franco Frattini, exigiu um inquérito à alegada “recusa de assistência” – o segundo caso do género depois de, em Maio, 62 imigrantes terem morrido à fome e à sede na mesma zona onde estavam vários navios de guerra. Tal como então, a NATO veio negar responsabilidades, alegando que a Itália nunca lhe pediu assistência. “Fomos informados do pedido de socorro. Mas as autoridades italianas indicaram que iriam responder ao incidente, enviando três navios e um helicóptero”, afirmou um porta-voz da Aliança Atlântica. Para evitar a repetição destes casos, Frattini propõe aos países aliados que revejam o mandato da missão na Líbia, “a fim de garantir protecção e socorro aos que, por causa dos combates, são forçados a fugir em barcos, com risco para a própria vida”. Já a OIM pede à Aliança que encare “todos os barcos que partem da costa líbia como estando automaticamente em dificuldades”, ficando obrigada a prestar auxílio e “acompanhá-los até ao primeiro porto seguro” – uma proposta polémica para os europeus, já muito reticentes no acolhimento aos milhares que, desde a revolução na Tunísia, chegaram à ilha de Lampedusa, por temerem uma nova vaga de imigração.

Público, 5 de Agosto de 2011.

Publicado: Sbado, 06 Agosto, 2011

Retroceder

Associe-se a nós AIPA

Agenda

Subscreva a nossa newsletter