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Desemprego leva mais imigrantes a deixar Portugal

O desemprego baixou entre os imigrantes no último ano, o que acontece pela primeira vez desde 2008. Ao mesmo tempo, aumentam os pedidos à Organização Internacional das Migrações (OIM) para o retomo voluntário ao país de origem, sobretudo para o Brasil. Os estrangeiros estão a abandonar o País, para a terra natal ou outros destinos, justificam os dirigentes associativos. "Quem nos pede apoio está a fazer um part-time, substituições, biscates ou simplesmente não trabalha. Queixam-se de que a situação económica do País está muito diferente, para pior, da que encontraram quando imigraram, no início de 2000", explica Luís Carrasquinho, responsável pelo Programa de Retorno Voluntário da Organização Internacional das Migrações, OIM Portugal.

Os estrangeiros que deixam de ter um contrato de trabalho perdem as condições para renovar a autorização de residência e entram numa situação de ilegalidade. Também lhes é mais difícil obter apoios sociais. E, por isso, acabam por regressar às terra de origem, migram para outros países europeus ou engrossam os números do trabalho informal, defende Timóteo Macedo, presidente da Associação Solidariedade Imigrante. Estrutura que, tal como a Casa do Brasil, integra o Conselho Consultivo para os Assuntos da Imigração, entre outras associações que apoiam as comunidades estrangeiras.

O Instituto do Emprego e Formação Profissional registava 37 704 desempregados estrangeiros em Março (ver gráfico), menos 8,5% do que em igual período de 2010. Quase um terço destes são brasileiros, o que, também, reflecte o peso da comunidade no fluxo migratório para Portugal, 116 220 cidadãos registados no Serviço de Estrangeiros e fronteiras em 2009 (ver gráfico). "Evidentemente que uma parte significativa vai à procura de melhores oportunidades no país de origem, mas isso acontece mais com os brasileiros. Há uma outra parte, como os africanos, que circulam pela Europa e, também, há quem esteja a trabalhar sem condições e com o total desrespeito pelos direitos humanos. Há muito trabalho informal a crescer, como acontece na construção civil, sector que continua a envolver muita mão-de-obra migrante", denuncia Timóteo Macedo ao justificar a redução do desemprego nas comunidades estrangeiras.

Ao mesmo tempo, aumenta o número de pessoas que pedem apoio para a viagem de regresso noprimeiro trimestre deste ano, recebeu-se mais 62,1% de pedidos que em igual período de 2010. Os embarques também aumentaram, mas não a um ritmo tão elevado como os pedidos A OIM pagou as viagens de avião e acompanhou até ao aeroporto 191 imigrantes neste primeiro trimestre, 75% dos quais estavam em situação irregular no País.

Em 83% dos casos são brasileiros que recorrem às assistência da missão portuguesa da OIM, maioritariamente do sexo masculino (59%), em idade activa, 69% tinham entre os 18 e os 55 anos, e residentes na área da Grande Lisboa (54%).

Mas Heliana Bibas, dirigente da Casa do Brasil, alerta que estamos a falar em situações de emergência e que muitos brasileiros estão a deixar Portugal. Reconhece que há quem continue a imigrar, mas são em muito menor número. E sublinha: "O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras ainda não divulgou as estatísticas de 2010 para percebermos o impacto da crise portuguesa e do crescimento da economia brasileira na estrutura da comunidade brasileira, mas a percepção que temos é de que muitos estão a regressar."

Diário de Notícias.

Publicado: Tera, 10 Maio, 2011

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