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Africanos com expressão nos Açores

Quem migra é motivado, essencialmente, pelas razões económicas, procurando novas oportunidades e melhores condições de vida. Neste momento, a Região é um local bastante procurado.

Os dados estatísticos, e o próprio quotidiano, na maioria das ilhas açorianas apontam, inequivocamente, para uma verdadeira comunidade africana na Região. A nível numérico a comunidade africana representa perto de 30% do total de cidadãos estrangeiros residentes nos Açores, sendo que a comunidade cabo-verdiana, angolana e guineense são as mais representativas. Esta é a realidade dos Açores hoje em dia.

Segundo Paulo Mendes, presidente da direcção da Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA), "a comunidade africana é a mais antiga nesse processo migratório para a Região Autónoma dos Açores e, hoje, muitos já têm a nacionalidade portuguesa", pelo que "deixam de ser contabilizados como estrangeiros. Este facto explica, em parte, a perda de importância relativa da comunidade africana". Contudo, a diversidade da proveniência dos imigrantes "tem imprimido uma diversidade cultural muito interessante e enriquecedora nas nove ilhas".

Nas palavras de Paulo Mendes, "esta dinâmica não é algo específico dos Açores", uma vez que todo o País recebe estrangeiros, contudo, "numa região como os Açores: estrutural e recentemente alicerçada na emigração, é muito interessante perceber que rapidamente se transformou numa região de acolhimento de outras culturas e de pessoas que vêem o mundo de outras janelas. Esta dinâmica é um factor inquestionável de enriquecimento cultural, económico e social e agora depende da população açoriana e das próprias política públicas nesta matéria no sentido maximizarem estas potencialidades".

Quem migra procura, obviamente, novas oportunidades e melhores condições de vida. "No entanto, o reagrupamento familiar e com um peso muito residual (os estudos) determinaram a vinda de imigrantes africanos". Segundo lembrou Paulo Mendes, "é relativamente irónico, e de uma tremenda coincidência, perceber que as migrações nos Açores foram determinadas, em parte, pelos fenómenos naturais; quando olhamos para a emigração açoriana para os Estados Unidos percebemos que muitos saíram por causa da erupção de 1957 e, em 2001, foram muito os que se fixaram nas ilhas por causa do processo de reconstrução".

Ainda assim, "a discriminação está sempre presente, e o que varia é o grau, a intensidade e as consequências que ela acarreta no quotidiano dos discriminados". Em pleno século XXI, "a discriminação ainda existe, embora assuma novos contornos e as formas de expressão sejam mais subtis. Um dos vários desafios que as migrações acarretam tem justamente a ver com o estabelecimento de pontes culturais, no sentido de permitir que quem chegue vivencie a cultura da sociedade de acolhimento mas também da parte de quem recebe esteja disponível para conhecer o outro", sublinhou.

População deve ajudar na integração

"Sendo certo que as políticas públicas desempenham uma função importante, o papel que a sociedade pode desempenhar na integração assume muita relevância, em particular, na época que nós estamos a atravessar", diz Paulo Mendes. Segundo ele, "os açorianos serão capazes, à luz do passado recente das ilhas em que muitos da terra saíram para espaços longínquos à procura de melhores condições de vida, de valorizar e receber de forma digna os imigrantes e fazer deles os novos açorianos".

Expresso das Nove, 8 de Abril de 2011.

Publicado: Sexta, 08 Abril, 2011

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