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Portugueses não se sentem ligados a outros países

Ser um país de emigrantes e de imigrantes parece ser vivido pelos portugueses como uma imposição, sem reflexos nos afectos. É, pelo menos, o que sugerem os resultados do Eurobarómetro "Os Novos Europeus", divulgado ontem. Apenas 37 por cento dos portugueses inquiridos afirmam sentir alguma relação com outro país. Esta percentagem faz com que Portugal esteja entre os oito países mais ensimesmados, que são encabeçados pela Itália. Pelo contrário, no Luxemburgo, 82 por cento dizem sentir uma relação próximo com outro ou outros países. A seguir vem a Suécia (82 por cento). A média na UE é de 51 por cento. Entre os portugueses que dizem ter afinidades com outro país, a França é o mais referenciado (13 por cento), seguido por um anónimo "outros", que recolhe 11 por cento das pre- ferências, e a Espanha com 10 por cento. A Alemanha, onde Portugal tem uma forte comunidade, é referida por apenas três por cento. Em média existem três razões principais na base da afinidade com outro Estado: ser um local habitual de férias ou de fins-de-semana, ter aí amigos e/ou familiares. Os portugueses estão em sétimo lugar quanto a esta última razão, que é apresentada por 39 por cento dos inquiridos. Já no que respeita às férias ,apenas quatro por cento o referem. Na Holanda são 65 por cento. Entre aqueles que menos dizem ter amigos ou familiares fora figuram Itália, França e Hungria. As entrevistas foram realizadas no ano passado, já em plena crise. Mesmo assim, a esmagadora maioria dos inquiridos portugueses (86 por cento) afastou a hipótese de vir a emigrar nos próximos 10 anos. Na UE, esta opção é assumida por 66 por cento. Apenas 11 por cento dão como "totalmente provável" a hipótese de partirem para outro país. É na Letónia, na Lituânia e no Luxemburgo que se encontra a maior percentagem de candidatos. Do inquérito resulta também a cons- tatação de que a mobilidade ainda é mais um conceito do que uma prática: só 13 por cento dos inquiridos admitem sentir ligação a outro país por terem trabalhado lá e oito por cento por aí terem estudado. Para a grande maioria, "o mais importante elemento da identidade nacional" é o de ter nascido no país a que pertence. Em média este é o aspecto privilegiado por 49 por cento. Em Portugal foi referido por 69 por cento dos inquiridos. Por comparação a 2009, isto significa, segundo os autores do estudo, que os europeus estão a privilegiar enfoques mais concretos em detrimento de conceitos mais subjectivos.

Público, 2 de Abril de 2011.

Publicado: Segunda, 04 Abril, 2011

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