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Os ministros dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde e de Portugal

Situação dos cabo-verdianos na agenda Os ministros dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde e de Portugal encontraram-se esta semana em Lisboa, tendo juntos passado a limpo o estado das relações entre os dois países. Victor Borges, que acompanhou o presidente Pedro Pires a Nova Iorque onde participam na assembleia-geral anual da ONU, manteve um encontro de trabalho com o seu homólogo português, Diogo Freitas do Amaral, durante a sua escala em Lisboa. ‘Asemanaonline’ apurou que a situação dos cabo-verdianos em Portugal mereceu uma atenção especial dos dois ministros. Na reunião em que, da parte cabo-verdiana, participou o embaixador da Praia em Lisboa, Onésimo Silveira, a questão do tratamento que vem sendo dado aos cabo-verdianos pelas instituições oficiais portuguesas como sendo uma “minoria étnica” veio à baila. De acordo com a fonte deste jornal, o MNE português mostrou-se sensibilizado em relação a tal reclamação que tem sido formulada, publicamente, sobretudo pelo embaixador cabo-verdiano em Lisboa. “O assunto foi abordado e ao que tudo indica a questão vai ser resolvida a contento dos cabo-verdianos. O próprio Freitas do Amaral admitiu que não se pode tratar a nossa gente como uma etnia minoritária”, precisou a mesma fonte, que destaca a velha amizade do governante luso por Cabo Verde. Note-se ainda que as relações entre Praia e Lisboa são tidas como tradicionalmente elevadas e amigáveis, sendo Portugal o principal parceiro europeu de Cabo Verde, facto este traduzido nos diversos acordos de parceria estratégica existentes entre ambos os países. Ademais, Lisboa ajuda actualmente a Cidade da Praia a obter da União Europeia um estatuto especial de parceria, tema este que foi também abordado no encontro entre Freitas do Amaral e Victor Borges. Em Portugal vivem mais de 100 mil cabo-verdianos, que foram durante largos anos a mais antiga e numerosa comunidade estrangeira naquele país. Contudo, com a nova vaga migratória vinda do Brasil e do Leste da Europa, os cabo-verdianos perderam tal estatuto, e daí até serem confinados à categoria de “minoria étnica” foi um passo.Mas esta é uma classificação que tem merecido o repúdio público de Onésimo Silveira, para quem, pelo nível de relações existentes entre os dois povos e países, os cabo-verdianos merecem outro tipo de tratamento em terras portuguesas.

Publicado: Quarta, 14 Setembro, 2005

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