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Todos os açorianos são portadores de cultura

Cada pessoa cria os "istmos" e impulsiona a cultura e as artes, afirma Jorge Bruno, director Regional da Cultura, acrescentando que a cultura está no ADN.

 "A cultura é imensurável e não se limita à geografia. As conexões físicas das rotas que a história estabeleceu, através da emigração e da imigração, criaram 'istmos' de ligação entre os Açores e o mundo", afirma Jorge Bruno, director Regional da Cultura, quando questionado sobre o lugar da cultura açoriana no mundo contemporâneo. "Todos os povos estabelecem conexões, mais ou menos acentuadas, que extravasam o espaço local onde a cultura é produzida, fomentada, alimentada… Por isso, a cultura é universal. Definir o lugar da cultura açoriana no mundo seria circunscrever a nossa cultura a uma cartografia que não existe porque, desde sempre, os açorianos se espalharam pelo mundo e aportaram às ilhas gentes e ideias vindas de muito lugares."

Jorge Bruno assume que não é pretensão dos Açores ou açorianos influenciar a cultura no mundo. Importa, antes, "promover e desenvolver uma política cultural concertada com as raízes e o contemporâneo. Importa partilhar ideias, promover o debate e fomentar o desenvolvimento cultural. Um povo culto não pauta os seus objectivos pela influência que pode ou não exercer no mundo".

Ainda que não seja nossa pretensão influenciar a cultura, somos portadores de cultura. Cada açoriano, em cada parte do mundo, leva consigo a cultura açoriana. "Somos nós que criamos os 'istmos' e que impulsionamos a cultura e as artes. Por mais indelével que seja a nossa participação, ela existe sempre. Podemos considerar que a cultura está no ADN, é epidérmica e, tal como as células, reproduz-se."

Por outro lado, a condição geográfica dos Açores foi, ao longo da história, um factor que propiciou o contacto com outras gentes, saberes, conhecimento, tradições. "As partidas e chegadas são, para os açorianos, uma grande parte da sua história", refere Jorge Bruno. "Actualmente, a natureza arquipelágica dos Açores é um conceito mítico e filosófico. Não obstante este misticismo estar patente em muita da produção artística dos açorianos, de que nos orgulhamos, a evolução e as tecnologias extravasaram os limites da ilha e do horizonte. Por estas razões estamos, sem dúvida, mais abertos ao mundo e, por isso, assumindo a nossa insularidade como parte integrante do mundo globalizado das artes e da cultura."

"Somos uma ponte natural de tendências"

Quando questionado sobre se os Açores são uma ponte natural entre as tendências culturais norte-americana e europeia, Jorge Bruno afirma que "podemos considerar as pontes entre culturas como os tais 'istmos', conexões que ligam as várias disciplinas artísticas, entre o local e o global". No entanto, prossegue o director regional, "independentemente da posição geográfica e estratégica, não somos uma ponte natural de tendências; somos certamente uma zona frutuosa de partilha e seguramente um manancial de culturas, porque os Açores não são apenas uma rota entre os Açores e a Europa".

ISABEL ALVES COELHO, Expresso das Nove, 18 de Março de 2011.

Publicado: Sexta, 18 Maro, 2011

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