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Novo projecto ampara imigrantes e repatriados

O apoio aos cidadãos imigrantes, repatriados e locais com problemas sociais, deu mais um passo em frente nos Açores. Com a parceria do Instituto de Acção Social (IAS), desde Outubro passado a Kairós pôs de pé um projecto que lhe permite trabalhar em rede com diversas instituições, tendo em vista o acolhimento e a integração sócio-profissional das pessoas carenciadas, sobretudo as deslocadas do seu meio de origem. O projecto chama-se Centro de Suporte Social à Mobilidade Humana e dispõe de uma operacionalidade dividida por três unidades: Apoio ao Cidadão Imigrante, Apoio ao Cidadão Repatriado e ainda Integração e Formação de Competências Pessoais e Sociais. As duas primeiras valências estão apetrechadas de uma casa de acolhimento temporário em Ponta Delgada: em relação aos imigrantes (na Pranchinha) , para amparar situações complicadas de falta de dinheiro, dificuldades de emprego, despedimento ou simples casos de pessoas deslocadas; quanto aos repatriados (em Santa Clara) o objectivo passa por uma estada que seja a ponte para um projecto de vida livre de dependências. Finalmente, a terceira dimensão, a Unidade de Integração e Formação de Competências Pessoais e Sociais, actua numa perspectiva pedagógica e logística. Isto é, conforme revelou ao Açoriano Oriental Zuraida Soares, a sua coordenadora, a iniciativa proporciona um conjunto de saberes preciosos que vão desde a aprendizagem da língua portuguesa à própria alfabetização, passando por acções de formação que qualificam e atribuem competências. Um «el dorado» de oportunidades para os de fora, mas também para os de cá, que inclui ideias inovadoras. Uma delas traduz-se num clube de emprego, que determina o perfil das pessoas quanto a potenciais ocupações, e uma bolsa de empregadores que podem dar trabalho a quem a se candidata pela primeira vez. Fica assegurado o apoio jurídico, laboral e profissional, num quadro que Zuraida Soares garante ser de «trabalho acompanhado». Mas o novo projecto abraçado pela cooperativa de economia solidária Kairós não se limita a trabalhadores ou desempregados, e abre a porta da assistência aos alunos da Universidade dos Açores provenientes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), sem capacidade para pagar o aluguer de quartos e propinas. Com oito meses de existência, mas curiosamente ainda não formalmente apresentado (o que deverá acontecer em breve), o raio de acção do Centro de Suporte Social à Mobilidade Humana estende-se a várias instituições, desde logo e em primeira instância ao IAS, Casa de Saúde, PSP, Instituto de Reinserção Social, Hospital de Ponta Delgada e Associação dos Imigrantes. Como frisa Zuraida Soares, agora também envolvida no apoio às camadas desfavorecidas da sociedade, o projecto pretende dar a volta por cima a situações de penúria, «potenciando recursos e acompanhando em rede imigrantes e repatriados». Os mesmos que, em menos de um ano, já enfrentaram dificuldades, passaram pelas valências da Kairós, e cá estão eles neste momento de cabeça levantada. Acções sabem «a pouco» Entretanto, a recente nota difundida pela Diocese dos Açores, a pretexto da passagem do Dia Diocesano da Imigração, não deixou indiferente o presidente da Associação dos Imigrantes na Região (AIPA). Nessa nota, entre outras coisas, o Bispo D. António Sousa Braga referiu-se de forma crítica às condições de acolhimento nas ilhas de 5 mil imigrantes, cujos problemas de legalização e integração social não se resolvem com «encontros, convívios, gabinetes e linhas verdes». O repto do Bispo atinge o poder político e a AIPA. O seu responsável, Paulo Mendes, torna claro que a imigração é um fenómeno complexo e recente na Região, e por mais que se faça - como tem acontecido com o apoio do Governo - sabe sempre «a pouco» a desejada mudança, que virá mais depressa se tiver uma ampla participação social. Fonte:Jonral "Açoriano Oriental"

Publicado: Quarta, 09 Junho, 2004

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